Hoje vou falar de outro filme disponível no Netflix, “Uma Garota de Muita Sorte“. Estrelado por Mila Kunis, o longa é baseado em um livro de mesmo nome, que é um dos motivos pelo qual trago essa indicação aqui. Mas a principal razão para estar às 22h17 de uma apática segunda chuvosa escrevendo é que ele mostra mais um caso em que o processo de cura se iniciou no exercício de escrever.
O filme vai mostrando aos poucos os momentos que a personagem Ani Fanneli suprimiu por anos e acarretou uma série de questões de personalidade e psicológicas. Traumas, injustiças, julgamentos, abandono, traição, violência, dissimulação e muitas outras comoções são abordadas com uma crueza que acho poética.
É o olhar de peixe morto, como diria minha vó. O pensamento contra o discurso. A autenticidade contra a idealização. O salto alto e o pé descalço na rua.
Todas podemos nos identificar com vários aspectos da tormenta mental que a personagem reluta em encarar, a recusa do chamado para resolver e finalmente os segundos de coragem para romper com os protocolos estabelecidos por ela mesma e, só assim, iniciar uma vida desamarrada do peso das culpas, arrependimentos e rancores do passado. Até o sentimento de “tenho tudo, então porque não estou feliz” temos a chance de experienciar através dessa história.

Tem um momento do filme que, em um diálogo com um diretor que deseja gravar um documentário sobre o tiroteio que ela sobreviveu no colégio, ele questiona como ela prefere ser chamada, se de vítima ou sobrevivente.
Quem aqui é estudiosa de autoconhecimento e desenvolvimento sabe bem o poder e a importância das palavras que escolhemos para nomear sentimentos, situações e nós mesmas.
A relação de amor e ressentimento com a mãe é importante e também o relacionamento amoroso sempre no limiar entre perfeito e descompensado, a tentativa de preencher seus vazios com o outro quando é preciso consertá-los antes.
Por fim, entre as reflexões que o filme aborda e acho pertinentes compartilhar aqui, ela tinha objetivos e seguiu firme neles. E alcançou aquele que mais desejava. Não foi rápido, não foi mágica. Levaram anos de resiliência e dedicação para conseguir. Mensagem bem importante para encerrar o artigo de hoje.
Notou que lá no começo do texto em vez de falar ela se curou, escrevi que o processo de cura começou? Pois essa é a verdade, você pode ter muitas epifanias, mas a mudança é contínua e raramente acontece em um dia. É preciso agir, ter foco, ser consistente em direção ao que anseia, tomar decisões (falei disso aqui).

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