E mesmo que você não assuma em três vias assinadas em cartório, ela vai ser sua decisão, quer queira, quer não. E isso é um peso que você tira ou coloca em você e no mundo, pois muitas das escolhas que você faz, impactam mais seu entorno do que você mesmo, ou seja, um peso que você coloca no outro (obs.: não seja essa pessoa!).
Nas minhas constantes buscas por autodesenvolvimento desde 2018, quando vivi meu maior colapso, o grande empurrão que fez eu encaixar a chave na maçaneta e abri-la, foi exatamente isso: entender e aceitar que sou responsável pelas minhas decisões.

Apesar de parecer óbvio, como a maioria das obviedades, as pessoas ligam no automático ou no foda-se e seguem sem fazer disso um ato racional e reflexivo. Jogam ao Deus-dará e assim quando algo sai do controle é mais fácil culpar os outros e se colocar no pedestal de vítima.

Esse tipo de perfil está destruindo o mundo. E o pior é que ele não tem um um padrão, pode brotar em qualquer indivíduo. Inclusive, arrisco um palpite de que já acomete a maior parte das pessoas atualmente. Outra pandemia está aqui e, como diriam os versos de Nando, “O que está acontecendo? O mundo está ao contrário e ninguém reparou”.

Vamos começar por um dos efeitos colaterais mais recorrentes: a hipocrisia.
Estou acompanhando de camarote, nestas eleições de 2022, pessoas esbravejando sobre a corrupção de ambos os candidatos que foram para o segundo turno. Mas elas mesmas cometem vários pequenos delitos, quando não grandes também. Gato para não pagar os streamings, pagar meia com carteirinha de estudante falsa, mentir sobre saúde para se beneficiar de faltas até seguros, traem companheiras, passam a perna em colegas e mais “jeitinhos” afora. Uma desviadinha aqui, outra acolá, e somos o reflexo de um mundo que normalizou fazer o errado em benefício próprio sem se importar quem isso afetará.
O que isso tem a ver com a responsabilidade de tomar decisões? Tudo isso são decisões. Ser corrupto ou não. Ser consistente ou hipócrita. Ser uma pessoa que é um exemplo ou não. E quando você decidir, assuma. Se você tem orgulho das malandragens que comete, então ao menos pare de bradar sobre as corrupções e mazelas dos outros e perceba que você é farinha do mesmo saco. E se te incomoda isso, mude. Adivinha só de quem é essa decisão? Que louco isso, né?
Outro sintoma é o exército de “comigo não morreu”.
Problemas climáticos, de descarte de lixo, pobreza, pessoas sem acesso à saneamento básico e educação, risco alimentar, feminicídio, violência infantil, maus tratos aos animais, racismo, homofobia, machismo, intolerância religiosa, fanatismo. Essa lista pode, infelizmente, se estender muito além dos tópicos acima.
Estes são alguns dos problemas que estão se agravando mundialmente. A maioria deles têm essa questão de não ser palpável ou da realidade experienciada por parte importante de uma parcela da população mundial que detém os poderes de decisões aquisitivas.
Eles vivem numa bolha e não tem o menor interesse em incluir qualquer um destes pontos em suas pautas de escolhas e isso é fundamental para que a maioria das questões negativas, catastróficas e excludentes que matam pessoas e nosso mundo – literalmente, estamos detonando com nosso ambiente e ele é findável – mudem.
Durante minha aula de MBA pela PUCRS, a Nina Silva definiu o termo aliado da seguinte forma:
São pessoas que sabem de toda aquela problemática, dos números, da dor que nós trouxemos aqui. Uma dor que não é vivenciada por essa parcela da população, mas que é de conhecimento minimamente. Faz com que as pessoas se engajem em projetos contra a eliminação daquelas dores. (…) Porque quero estar aliado, não quer dizer que eu sinto essa dor, mas eu quero um mundo melhor, sem que essa dor exista.










E pegando já o gancho da Nina, tem VÁRIAS escolhas diárias simples e acessíveis para essa parcela da população, que provavelmente o leitor daqui se enquadra, que você pode fazer pelo mundo. Se o mundo não é um argumento que te incentiva, faça por você então, afinal, este tem sido o critério egoísta sem senso de coletivo da maioria e, novamente, se te incomodou ler isso, provavelmente você faz parte desse segmento, então pega e muda, a decisão ainda é sua.
Lista de mudanças que fiz, pois aqui sou partidária do faça, não fale, pois combato com força o primeiro mal aqui citado, a hipocrisia:
- Produtos de beleza e bem-estar por marcas veganas, sem produtos químicos artificiais, de produção artesanal de empreendedores brasileiros
- Reduzi meu guarda-roupa pela metade, ter menos faz com que você queira consumir menos
- Quando quero alguma peça de vestuário e moda novas, algo tem que ser doado para uma nova entrar
- Apenas de confecções sustentáveis, artesanais, preferência por empreendedores com propósitos de impacto em toda a cadeia produtiva
- 70% do meu mercado é feito em loja granel e eu levo meus próprios potes, reduzindo geração de lixo e descarte, principalmente os de plástico de uso único e isopor. Inclusive, diversas lojas oferecem desconto no preço final da compra para quem leva suas próprias embalagens
- Até frios e proteínas animais, você pode levar seus próprios potes e pedir que coloquem lá dentro, sem gerar embalagens
- Prefira ir na feira também com suas sacolinhas retornáveis e ecobags, além de ser mais saudável é mais consciente
- Carrego na minha bolsa um kit de copo dobrável e alguns utensílios de bambu. Não uso assim descartáveis na rua, como copos, talheres e canudos. E é mais higiênico, afinal, eu sei a limpeza dos meus itens e não sei a desses outros
- Levo minha própria garrafa de água também (evite as de plástico, esse material é um inimigo do mundo), além de economizar muito pois não compro água, apenas encho a minha, não gerar lixo desnecessário e de plástico de uso único
- Mudei os produtos de limpeza da casa, desde limpeza pesada, louça, até roupas. Tudo a base de plantas, limpa bem, cheirinho bem melhor e é indicado para quem sofre de alergias e/ou tem a pele sensível, e é melhor para os pets também
Tudo isso é muito fácil de mudar e aplicar no dia a dia. Ou seja, a decisão está fácil, deixe de ser um “comigo não morreu” ainda hoje. Quando as pessoas que têm o poder de decisões aquisitivas no mundo mudarem estes hábitos, todas as marcas, fornecedores, inovações, vão olhar para isso e todos vão promover mudanças e se adequar a um mundo que não faz mais vista grossa.
Ao final do texto, coloquei alguns posts mostrando marcas e produtos que fiz substituições.
E agora, chego ao último tópico de responsabilidade das suas decisões: você mesma.
Mas você não disse até agora para pensar em coletivo, ser menos egoísta. Sim, e mantenho, mas existe um ponto lá no começo também que eu citei que é fundamental, o de se colocar no pedestal de vítima.
Têm coisas abomináveis rolando no mundo e esse tipo de situação não cabe aqui. Nesses casos realmente temos vítimas as quais muitas vezes ainda são culpadas perante o julgamento do outros, como mulheres estupradas em que algumas pessoas, que possivelmente já não estão em posse de sua alma, dizem que a própria vítima que pediu e procurou por tamanha violência. Enfim, a hipocrisia.
Mas, num aspecto mais rotineiro, a maioria das situações é algo que você decide e tem responsabilidade sim. Muitos azarados por aí apenas são ruins em assumir decisões, nada tem a ver com a conspiração do universo.
Você quer algo? Uma promoção no emprego? Um emprego novo? Morar sozinha? Um apê mais confortável? Viajar? Ir ao show dos sonhos?
O que você de fato decide diariamente para chegar lá?
Você estuda todos os dias para ter conhecimento e aplicar na prática e assim ter sua promoção ou um CV mais interessante para novas oportunidades? Tem um horário claro de dedicação para esse objetivo?
Quer ser mais saudável? Está comendo melhor ou todo dia tem um “hoje eu mereço”? Falta na atividade física, mas a contagem de tempo nas redes sociais dá mais de 10h na semana?
Em 2018, quando eu colapsei, eu não tinha nada em mim que eu achava valioso. Mas eu, literalmente, coloquei num papel o que eu queria:
- um apartamento gostoso que fosse minha cara
- minha autoestima de volta e para isso precisava me sentir bem com minha aparência
- voltar a ter individualidade, reconectar comigo e apreciar minha companhia
O que eu precisaria fazer para alcançar estas metas?
- quanto eu quero ganhar por mês para ter a vida que desejo?
- o que me incomoda na minha aparência e quero melhorar?
- o que eu amava fazer e abandonei?
E assim tive clareza de meus objetivos, depois das tarefas que eu ia executar até chegar onde eu queria.
- Renda desejada: trabalho fixo com um salário melhor que o anterior + freelas (sabendo que isso envolvia trabalhar alguns dias de noite na semana e às vezes de fim de semana. Era um sacrifício que eu estava disposta a fazer pela minha meta. Isso é foco e decisão!)
- Autoestima: fui na nutri e segui a dieta (foco em dizer não para várias coisas até chegar onde queria e depois, flexibilizar com racionalidade) + voltar a fazer exercícios (experimentei vários até achar a combinação que me ajudava a atingir minha meta de uma jeito prazeroso)
- Individualidade: voltei a ler, sair andando sem rumo desbravando a cidade, passei a fazer mais viagens (várias bate e volta com excursão com custos baixos, que as vezes é o que cabe no orçamento), conhecer mais culinárias, ir em mais eventos gratuitos pela cidade, receber amigos em casa. Passei a falar não para alguns convites, pois entendi que eu não deveria fazer mais tudo o tempo todo dos outros, que era necessário eu colocar limites, respeitar minhas vontades e assumir minhas decisões
Quando eu fico desempregada, insatisfeita, não me sinto orgulhosa de mim o processo é o mesmo. Sentar, colocar ali na minha frente o que não está bom, como eu gostaria de estar. O que fazer para chegar lá em tarefas claras com local e hora para acontecer. Clareza, detalhe, comprometimento.
Eu tenho pessoas ao meu redor que facilitam e apoiam os processos, por exemplo: tenho uma dívida e quero quitar, para isso tenho que economizar. Eles toparam fazer mais rolês em casa mais baratos para que eu pudesse economizar e estar junto.
Isso ajuda. Espero que tenha pessoas para expressar em voz alta suas metas e como pretende atingi-las e contar com a ajuda deles para isso, faz bastante diferença.
Então, assuma não só a responsabilidade das suas decisões, mas o poder delas.
Posts mostrando algumas das marcas e produtos que mudei e uso:
Viagens e passeios com propósito para reconectar comigo, com o outro e com a natureza:
Voltando a fazer o que eu amava, descobrindo novas individualidades, apreciando minha própria companhia:

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