Esse texto não contém spoilers, apenas opinião pessoal e desabafo
As pessoas no poder não olham.
As pessoas ao redor não olham.
O bullying online olharam. Sentimentos e empatia não dão audiência. Sentir que o outro está mais cagado que você, ah, isso dá clique pra mais de metro.
Isso te parece ficção? Se você respondeu sim, você definitivamente vive numa bolha e faz parte do problema. Se você respondeu não, lamento que esse seja o mundo atual (e talvez você também faça parte do problema, afinal, só por saber, não quer dizer que você faça algo a respeito, certo?)
A parte ficcional do novo filme da Netflix, “Não Olhe para Cima”, é o cometa que vai extinguir o mundo em seis meses. O não ficcional desse enredo é que ninguém está nem aí até que seja politicamente estratégico para alguém poderoso.
Estou escrevendo enquanto assisto ao filme e poderia falar sobre as brilhantes atuações, sobre o quão verídico foram as escolhas de como lidariam com isso, transformando a situação num show de exposição bizarro. Que traz outro ponto nada ficcional sobre nossas escolhas e tomadas de decisão: prazer em curto prazo sem se importar com os outros e com o mundo. Egoístas conformistas negacionistas que chama!
Claro, citando com destaque que enquanto o personagem loiro de olhos claros branco vira o A.I.L.F. a cientista mulher, quem fez a descoberta, e o negro, que foi quem os levou a sério, seguem tendo que defender sua voz e a credibilidade de suas falas o tempo todo quando deveriam estar se preocupando com, bem… a extinção do mundo.
Eu estou angustiada. Errei em jantar assistindo. A forma como tudo vai se desenrolando, a ambição, a falta de noção, o desrespeito com as pessoas e a ciência. Vidas podem ser perdidas pelo acumulo de riqueza que muitos ainda defendem, obviamente, pessoas que são parte do problema. Meu estômago embrulha.
Quem deveria defender a razão se perde e se vende.
Os que mandam, nós que os colocamos lá com nossa péssima habilidade de dar audiência e dinheiro para quem faria melhor uso disso. Essas pessoas que têm poder porque demos isso com nosso suado dinheiro para elas, mandam nos governos e políticas.
Nós tomamos uma decisão mais medíocre após a outra e ainda culpamos os outros.
Agora, eu sinto uma raiva profunda, um ódio que dá vontade de chorar e socar coisas. Uma enxurrada de injustiças, de falta de caráter, de tempo perdido. E agora não há mais tempo.
Meu olho lacrimejou. Quando você leu “não há mais tempo” que tipo de memórias e pessoas vieram na sua cabeça?
No filme, quem está no poder pelo nosso dinheiro ou pelo nosso voto, esconde, manipula e mente sobre informações para usar isso a favor de seu poder e riqueza.
Podres.
Podres.
Quando tudo está prestes a acabar, o que você faria em seus últimos instantes? Talvez, com as escolhas que segue fazendo, seja tudo o que te resta. Pensar no que fazer quando não der para fazer mais nada.

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