A humanidade está padecendo de palavras. Há quem diga que, principalmente, por causa das não ditas, mas acho que as mais cruéis assassinas são as subentendidas.
Sempre me irrito em filmes e séries quando alguém não fala claramente, dá pra ver aquele segundo em que todo o caos será instaurado e você só pode pegar sua pipoca e assistir ao redemoinho de efeitos colaterais que isso arrasta por onde passa.
Tudo porque naquela fração de minuto que a pessoa tem para ponderar o que falar, ela fica dividida entre o medo, a fadiga, a aprovação e até a oportunidade, afinal, muita gente é apenas manipuladora mesmo, nem é por problema de interpretação de texto, é só falta de caráter.
Quando uma entidade escolhe não falar sobre um novo vírus fatal: morte por falta de palavras.
Quando você quer muito algo e espera que adivinhem e depois fica bravo quando, incrivelmente, ninguém teve o poder de ler a sua mente: morte por falta de palavras.
Quando fica quieto mediante alguma indagação por achar que não vão entender, ou porque não está a fim de responder, mas imediatamente o outro cai em um dos maiores fiascos-clichês que existem, o “quem cala consente”: morte por falta de palavras.
Interpretação de texto em tempos de mensagens instântaneas que ficam prontas antes do meu miojo sabor galinha caipira já é um problema, imagina se você resolver miguelar também nas palavras faladas.
Aqui jaz, por falta de comunicação.

Deixe uma resposta