Após uma sem conta de dias chuvosos, que deixam o pé gelado mesmo na meia, na hora mais linda do Sol, pouco antes da Lua tomar seu posto, olhava o focinho tigrado do meu gato quando comecei a assistir “O telefone do Sr. Harrigan”, filme baseado no livro do Stephen King, “Com Sangue“.

No começo o filme já conversa comigo por alguns elementos: nasce desta parceria sobre livros e leitura; tem estes personagens solitários, deslocados, criando uma parceria honesta, sem perguntas, apenas de presença simples. Vem e vai. É isso e fim. Hora marcada para a amizade.
Uma cena em especial me comoveu – e não vou entrar em detalhes para não dar spolier – mas foi algo que me lembrou meu último momento com minha vó e minha gatinha. É o tipo de recordação que vem melancolicamente embrulhada em beleza poética. E que Stephen me perdoe os advérbios, que ele enfaticamente abomina em seu livro “Sobre a Escrita“, um tem-que-ler para quem anseia escrever mais e melhor, e aprofundar seus conhecimentos sobre formas literárias. Além de ser curioso a história por trás do autor, de sua obra mais famosa “Carrie”, e outros momentos de sua vida que parecem saídos de seus manuscritos.
Outra pequena cena que ressou em minha trajetória foi o momento de uma frase apática, “I’m just so happy for you, buddy” (estou tão feliz por você). Mas o que faz o olho lacrimejar é o não dito, o sentimento da despedida de quem fica. Não é uma tristeza, é um descolamento.
Voltando ao filme, passamos do mundo físico para o online, saindo dos livros e indo para o celular. É nessa transição de mundos que o suspense psicológico começa a tomar forma. Uma série de eventos vão gerando a ansiedade e o mundo físico e espiritual vão tensionando.
Achei pertinente, ainda mais no momento político do Brasil e do mundo, de crescente violência e discurso de ódio, o questionamento de como você reage com injustiça, crimes, tecnologia, o uso do poder que você tem. Aborda diferentes tipos e momentos de luto e consciência.
Mostra também a cura através da escrita. Esse pode ser um detalhe que passa despercebido por alguns, mas a narração é o protagonista digitando a história. Após seu colapso mental, é como ele recupera ele mesmo e volta para o caminho de ser sua melhor versão após lições aprendidas, decisões tomadas e ciclos encerrados.
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