Veja bem, nem sempre foi assim. Inclusive, por um bom tempo, foi a melhor coisa que fiz, manter menos que casual, sem apego, sem mensagem, sem ocupar espaço algum nos pensamentos.
Foi necessário pra eu ter tempo comigo e desenvolver o único relacionamento que merecia meu esforço. Mentira, tinha o com meus gatos também.
Mas com o passar dos rostos inespressivos perante meus sentimentos, tornaram-se tão passageiros quanto os efeitos de fazer compras compulsivas.
Até dava alguma satisfação na hora, mas não durava nada e cada vez menos. E o que já não acrescentava, passou a tirar.
Se antes era seguir o dia, depois virou uma espécie de ressaca, de preguiça, de questionamento “do porquê raios eu ainda fazia aquilo?”
Mas agora você também ficou sem essa válvula de escape. Onde descontar então?
Não, não vale ser compra compulsiva! Não, a resposta não é entrar no primeiro relacionamento que aparecer!
Sem pressa eu aprendi a conviver comigo mesma e amar essa serenidade de quem não tem que nada, nem com os outros e nem comigo mesma. Quando tentei parar de fazer sentido e me adequar, comecei a estar presente pra mim mesma e comecei a sentir que me pertencia.
Acho que a resposta esta mais nessa direção. Enquanto tentamos nos sentir parte de metros quadrados, nos tornamos mais um objetivo apenas existindo. Mas quando criamos raízes por dentro, aí tudo vira intensidade.
Inclusive os nadas, o silencio, o tudo e os devaneios. Abrecei todo mundo e trouxe pra morar comigo.
“Eu não sou promíscua. Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro”, brilhou como sempre a profunda Clarice Lispector.

Deixe uma resposta