Que estranha certeza é essa de que ele me ama se já não repara nos meus dias? O que seria esse consolo dentro de mim justificando ele se deitar ao meu lado sem me dar boa noite? Em que momento me cansei a ponto de ficar muda? Quando passei a aceitar ser segundo plano, perdendo para prazeres banais e destrutivos?
Sinto-me devorada por uma tristeza que não derrama lágrimas, que não levanta a voz, que não anda rápido, que não busca solução. É uma dor grosseira e covarde. Uma sensação que acha que se não for sentida talvez não exista de verdade, pois se ele me procurar posso optar por achar que o que vivi não passou de vãos pensamentos. Posso até me sentir injusta com ele. Quem sabe…
Ele se aproveita das minhas fraquezas que faço parecerem qualidades invejáveis e que me anulam numa imensa capacidade de ir aceitando. Aceitando que ele é homem e eu mulher. Aceitando que para mim é mais fácil. Aceitando que um egoísmo aqui e outro ali podem ser normais. Aceitando que ele esteja apenas muito cansado no final do dia todo dia. Aceitando que ele percebe todos os outros a sua volta e me deixa de figurante.
Aceitando que ele não precisa mais me elogiar ou dizer que me ama, pois isso é óbvio, né?

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